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OMAX e a História do Corte a Água

Tudo começou através do exemplo da Companhia Paper Patents em Wisconsin que desenvolveu um equipamento de medição, corte e bobinagem de papel que utilizava em 1933 um bico de jato de água que cortava as folhas de papel na horizontal em movimento contínuo. No entanto, o processo de corte a água moderno foi iniciado pelo Dr. Norman C. Franz, um engenheiro florestal que buscando novas maneiras de cortar toras de madeira, estudou a água em alta pressão como ferramenta de corte.

Norman descobriu que jogando objetos pesados em colunas de água e forçando a água a passar por um orifício muito pequeno, conseguia-se picos de pressão suficientes para cortar toras de madeira e outros objetos macios, criando assim no início da década de 60 e patenteando mais tarde o corte por jato de água de forma rudimentar.

Há relatos de diferentes pessoas e empresas que já utilizavam do princípio do processo de corte a água para suas próprias aplicações desde meados da década de 1930.

Como em todas as grandes invenções…

…quase sempre encontram-se divergências ao informar sua verdadeira história. Na história do automóvel existem invenções e evoluções em diferentes lugares e tempos, na história da aviação também há complexas divergências de quem são seus reais criadores, mas o que realmente importa é que todos contribuíram para a realização destes sonhos que ainda estão em constante evolução.

A história do corte a água abrasivo também não foge à regra.

Neste texto você terá a oportunidade de conhecer a história deste processo através de vários pontos de vista, apresentando as pessoas e datas que deram início a evolução desta inovação tecnológica até os dias de hoje.

Uma inovação transforma a usabilidade deste processo

Na evolução do processo de corte a água, o Dr. John H. Olsen e Dr. Mohamed Hashishi, estão entre os maiores inovadores da década de 70.

Com determinação e persistência os dois trabalharam na Flow Research, uma empresa que surgiu em 1974, através de um grupo de ex-cientistas da Boeing. Dr. John H. Olsen, fez sua tese de doutorado no campo de Mecânica de Fluídos do MIT (Massachusetts Institute of Technology) em 1966. Já no início da década de 70 desenvolveu dentro da FLOW Research a primeira bomba de ultra pressão elevada, com a patente de nº 3,811,795 (imagem abaixo), conseguiu-se assim obter uma velocidade supersônica na saída do jato de água de forma contínua. A partir deste invento foram desenvolvidos os primeiros sistemas de corte por jato de água comercialmente viável para a indústria.

Em 1975 se inicia a comercialização de bombas intensificadoras, viáveis tanto para a utilização industrial na área de limpeza (hidrojateamento), quanto para o processo de corte a água em materiais macios, como fraldas, papéis, papelão, borracha, madeira, entre outros.

Mesmo com a bomba de ultra pressão o corte a água ainda era muito limitado, porém acreditando no potencial desta tecnologia a equipe de desenvolvedores da FLOW Research buscou alterar a forma do jato e do processo, em busca de tornar esta ferramenta mais potente e aplicável. O Abrasivo é aplicado ao processo de corte a água em 1982.

Através do Dr. John Olsen, Dr. MohamedHashishie e suas equipes foram feitos estudos adicionando materiais abrasivos ao fluxo de água. Em 1982 concluiu-se dentre vários abrasivos testados que o Garnet é o que causa o melhor cisalhamento nos materiais cortados, facilitando e acelerando o processo de corte em materiais duros e de maior espessura. Na década de 80 as aplicações do processo de corte a água abrasivo ainda eram limitadas. Em 1983 inicia a comercialização de máquinas de corte por jato de água abrasivo, atendendo a indústria automobilística e aeroespacial, para cortes em diferentes materiais duros, como: inconel, titânio, vidro, aço inoxidável, entre outros.

As máquinas de corte por jato de água abrasivo, foram inicialmente muito caras e difíceis de manter. Como resultado, esses sistemas eram usados apenas para corte em materiais especiais, tais como painéis de titânio nas aeronaves militares ou cortes específicos em vidros na indústria automobilística.

Além do alto custo, estes equipamentos precisavam ficar em locais bem arejados, pois se formava uma nuvem de abrasivo durante o corte, eram regulados todos os sistemas manualmente, os métodos de programação eram por meio de acerto e erro, ou seja, estes equipamentos iniciais foram limitados a empresas que possuíam estrutura suficiente e que empregavam trabalhadores altamente qualificados para operarem esses equipamentos.

Em meio a todas estas inovações a Flow Research em 1987 abre seu capital e se transforma em Flow Internacional Corporation, focada apenas em equipamentos de hidro jateamento de limpeza, estrategicamente demite seu corpo técnico e gestores do processo de corte a água abrasivo, tomando esta decisão por desinteresse no difícil e até então incerto mercado deste processo.

A evolução do processo continua através de ex-funcionários da Flow Research que ainda acreditam no verdadeiro potencial desta inovadora tecnologia

O Dr. Olsen, agora ex-funcionário da Flow (1974-1988), e Dr. Cheung, ex-presidente (1982-1987), ainda tinham como desejo viabilizar esta tecnologia. Estando eles inseridos neste processo e neste sonho, assumem as pesquisas e decidem investir em um equipamento que traga confiança e credibilidade a este processo. Dr. John Olsen e sua equipe começaram imediatamente a explorar o conceito de corte por jato de água abrasivo como alternativa para corte em todos os segmentos da indústria, seu objetivo era desenvolver um sistema que pudesse eliminar o ruído, a poeira e que também fosse simples o suficiente para operar e manter, sem a necessidade de treinamentos extensos ou conhecimento em programação.

 

Dr. John Olsen foi convidado a dar uma palestra no MIT (Massachusetts Institute of Technology), e nessa visita aconteceu dele sentar próximo a Alex Slocum (PhD em Engenharia mecânica, Cientista e Professor), explicando a ideia de criar um controle de movimentação preciso para as máquina de corte a água abrasivo, Alex Slocum ficou muito empolgado, então ajudou na concepção do sistema mecânico. Usando um protótipo de um modelo teórico, originalmente proposto por pesquisadores da Universidade de Rhode Island, o Dr. Alex Slocum e o Dr. John Olsen criaram um sistema de movimentação preciso usando como guia para o desenvolvimento de um sistema de controle único, o resultado foi um sistema de controle baseado em computador combinado com uma mesa de corte de precisão com eixos X e Y, em que as peças podiam ser cortadas de forma submersa, reduzindo drasticamente o ruído e poeira.

 

Este sistema completo de movimentação e software, foram desenvolvidos em 1993, e mais tarde em 1995 o sistema de movimentação é patenteado pelo Dr. Alex Slocum e John Olsen, N° 5,472,367. O software também é patenteado por John Olsen um ano mais tarde, n° 5,508,596.

“Tenho orgulho em dizer que agora nós alcançamos nosso objetivo, com uma inovação, esta no controle de movimentação. O resultado é o centro de usinagem por Jato de Água Abrasivo Omax.”

Disse Dr. John Olsen no início dos anos 90. Ainda em 1993 a Omax Corporation lança o centro de usinagem por jato de água Omax 2448, com sistema de software em computador desenvolvido pelo Dr. John Olsen, Carl Olsen, e suas equipes, especialmente para o processo de corte a água abrasivo.

“Eu comecei a trabalhar com o John Olsen em 1974, e nós sempre sentimos que a aplicação do jato de água em alta pressão é uma ótima aplicação para a indústria, entretanto ainda não existia um sistema decente de controle de movimentação da máquina em uma máquina de corte por jato de água abrasivo, quando o Dr. Olsen desenvolveu este sistema movimentação e o patenteou mais tarde, nós decidimos abrir a empresa.”

Disse Dr. John Cheung, atual presidente da Omax Corporation e ex-presidente da Flow Research.

 

Em 1995 o sistema de movimentação é patenteado pelo Dr. Alex Slocum e John Olsen, N° 5,472,367, o software é patenteado em 1996 por John Olsen, n° 5,508,596. Nasce assim a Omax Corporation em 1993, inicialmente chamada de Alburn Machine Tool.

A partir da década de 90, o mercado de jato de água abrasivo entra em uma acirrada competição

Os equipamentos Omax são apresentados a FLOW International Corporation, que após testa-los e compreender seu funcionamento, de imediato compram 12 máquinas a fim de revendê-las e assim iniciar uma parceria. Vendo o sucesso que a Omax obteve no primeiro equipamento, com precisão e produtividade jamais vista, a Flow quebra a então parceria criada, voltando novamente a fabricar equipamentos de corte por jato de água abrasivo e assim se inicia uma acirrada competição entre as empresas, ambas pioneiras neste mercado.

O processo de corte a água continua em constante evolução, são desenvolvidas máquinas cada vez maiores e com melhor tecnologia

Em 1999 são introduzidas as bombas Direct Drive desenvolvidas pelas Omax, sendo estas as primeiras bombas de acionamento direto da indústria de corte a água. Com isso se obteve muitas vantagens, pois pode-se produzir mais, com menor consumo e menor nível de ruído. Com os avanços na informática foi possível para as empresas criarem softwares cada vez mais simples de operarem e com mais recursos.

A Omax, desenvolvedora do próprio software, continua inovando com seus programas e em 2002 ela lança o Software Intelli-Max Suite completo, para Windows, software que levou mais de 4 anos de desenvolvimento para ficar completo e trouxe aos clientes de equipamentos de corte a água maior liberdade para criar.

peças cortadas com omax waterjet

Em 2004 as empresas líderes no mercado de corte a água abrasivo travam guerras judiciais, prova-se que o software da OMAX Corporation fora copiado pela concorrente, e que estavam utilizando a extensão de arquivo “OMX” (Omax Make), em seus equipamentos.

A empresa Omax Corporation processa a Flow International Corporation por violações das patentes em uma indenização milionária. Em meio ao processo a Flow cogita comprar a sua rival, para assim criar uma fusão entre a Flow International Corporation (empresa de capital aberto) e Omax Corporation (empresa limitada), a Flow faz uma proposta inicial para a Omax onde compraria a empresa eassim poderia usar livremente a tecnologia e patentes desenvolvidas pela mesma.

A Omax se interessa pela parceria já que assim as duas maiores empresas do processo uniriam forças e a tecnologia teria um desenvolvimento ainda melhor para a indústria.

Em meio a queda brusca nas vendas e na bolsa de valores, que se deu pela crise de 2008, a Flow Corporation diminui o valor de sua oferta inicial, fazendo com que ambas as empresas não fechassem acordo de parceria.

Devido à não fusão das duas empresas, a Flow International Corporation precisou indenizar a Omax, pela violação de suas patentes em uma indenização milionária. Com isso a Omax ficou ainda mais confortável em meio a crise, e pode focar seus esforços no desenvolvimentos de novas tecnologias para aperfeiçoar ainda mais o processo.

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